O controle visual é amplamente
utilizado na Indústria. Podemos dividir esses controles em duas
categorias: primeiro quando é preciso detectar um defeito de
aparência; segundo quando se faz uma inspeção visual em vez de um
método mais apropriado por falta de investimento ou de pesquisa.
Eu
fui responsável por uma linha de montagem onde o último operador
tinha que inspecionar muitas coisas: cor de um componente; ângulo de
uma peça; código de identificação; excesso de adesivo; ranhuras;
falha de tinta. Tudo isso com uma inspeção visual enquanto colocava
o produto na caixa. O estudo de MSA (Measurment System Analyse) foi
reprovado. Para resolver isso, eu instalei pequenas câmeras ao longo
da linha, com software de análise de forma ou de cor, para detectar
os erros no posto de trabalho adequado. Assim podia retrabalhar os
produtos antes de chegar no operador final. Então diminuímos a
quantidade de defeitos a ser controlados pelo operador da embalagem e
o estudo de R&R (Reprodutibilidade e Repetitividade) foi
aceitável.
Para
fazer um estudo completo, selecione 50 peças com a seguinte
distribuição: 15 peças “Aprovada”, sem nenhum defeito visual;
10 peças “Aceitável”, elas podem ter um pequeno defeito visual,
mas a peça é considerada “Aprovada”; 10 peças “Não
Aceitável”, o defeito visual é um pouco maior que as peças
“Aceitável”, por isso elas são consideradas “Reprovada”; 15
peças “Reprovada”, estão com defeito visual óbvio. Identifique
as peças de 1 até 50 aleatoriamente.
O
primeiro passo é pedir a confirmação da Engenharia do Produto.
Lembre-se que é a Engenharia que determina os critérios de
aceitação, o departamento da Qualidade vai apenas assegurar que
eles são seguidos. Você terá um grande desafio: conseguir definir
claramente o que é “Aceitável” e o que é “Não Aceitável”!
Conseguiu
certificar os 50 padrões? O segundo passo é pedir aos operadores
para inspecionar as peças e classificar com “Aprovado” ou
“Rejeitado” – não existe outra qualificação do tipo
“Talvez”! É importante fazer isso sem nenhum treinamento
específico e nas condições normais de trabalho. Cada pessoa deverá
inspecionar 3 vezes as amostras, então terá 3 sessões de controle.
Um MSA é considerado “Aprovado” se tem menos de 10% de erro. O
controle visual será “Reprovado” quando o erro é superior aos
20%. Isso é a versão simples do R&R, existe uma versão mais
elaborada, ondem deve ter 3 pessoas diferentes fazendo o controle e
irá determinar o Kappa (teste de acordo ou confiabilidade).
Entre
os 10% e os 20% de erros, o controle é "Condicional", ele poderá ser “Aceitável”
dependendo da Severidade da falha potencial (critério S do FMEA). O
controle visual é classificado com um nível de Detecção 9 nos
critérios do FMEA: muito improvável de detectar todos os problemas.
Esse tipo de controle poderá ser usado apenas para falhas com
severidade baixa (“Incômodo” ou “Perda de função
secundária”: S=1-6). É preciso conferir o impacto no risco (NPR)
que não pode ser muito grande.
O
terceiro passo é desenvolver um quadro para exibir alguns padrões,
especialmente os casos “Aceitável” e “Não Aceitável”, no
local de inspeção. Elabore uma Instrução de Trabalho que vai
explicar detalhadamente como será feito o controle. Tendo isso
pronto, você poderá realizar um treinamento formal (com registro)
de todos os envolvidos: operadores e inspetores.
O
quarto passo é realizar de novo o estudo de MSA. Seria bom mudar a
identificação das amostras para eliminar a possibilidade de que as
pessoas lembrem-se da última rodada. Calcule a nova taxa de erro –
ela deveria ser melhor que na primeira rodada! Caso o estudo ainda
esteja como “Reprovado” ou "Condicional", você precisará buscar um método
de controle alternativo. Treinar mais as pessoas não é uma opção!
Fazer
um estudo de MSA tem 2 objetivos: atender os requisitos da norma e
obter a aprovação do cliente; ou buscar uma oportunidade de
melhoria para assegurar a qualidade e garantir a satisfação dos
clientes.
Bruno Viandier
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