Ações Simples com Implementação Rápida para Resultados Tangíveis
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06 julho 2017

Reduzir Refugo




Geralmente temos este desafio em mente porque estamos incomodados vendo sucata acumulada ou aprovando repetidas notas de serviço para remoção. Caçambas cheias é um sinal claro que está desperdiçando. Infelizmente é apenas a “ponta do Iceberg”!
Se tanto sobrou para sucatear, o quanto foi retrabalho? E o quanto foi para o cliente com defeito?

Certamente você já ouviu esses comentários:
  • O Refugo faz parte da Produção, já está nos custos!
  • Isso é o Refugo “Natural”, faz parte do processo de fabricação.
  • Esse Refugo não tem problema, a gente retrabalha e manda.
  • Boa parte do Refugo nos usamos para o mercado de reposição.

Refugo é uma das Paradigmas mais poderosa da Indústria.
Os conceitos como “Zero Defeito” são apenas utopia para a maioria.

Empresas investindo recursos para Reduzir Refugo estão na direção certa.
Eu fui Champion de vários grupos Lean Six Sigma com meta de Redução de Refugo.
Trabalhamos em vários processos e conseguimos ganhos financeiros expressivos.

Não é preciso de Black Belt para resolver os problemas simples.
Um treinamento “on the job” de algumas ferramentais básicas proporcionam resultados rápidos.
Em 3 meses é possível reduzir em 30% os refugos sem necessidade de investimentos pesados.
Apenas Foco e Disciplina já são 80% dos esforços necessários.

A Metodologia DMAIC do Six Sigma é uma variante do famoso ciclo PDCA de Melhoria Continua. Ele foi desenvolvido para focar em Processos e usar ferramentais estatísticas um pouco mais avançadas.

DMAIC pode ser resumido em:
  • D de Define
    • O primeiro passo é de entender o Processo na sua globalidade
      • Entradas / Saídas
      • Exigências / Especificações / Expectativas
      • Perfil dos Utilizadores / influências Externas
      • Metas do projeto
  • M de Measure
    • O segundo passo é de conseguir medir
      • Os Parâmetros dos Processos
      • As Características do Produto
      • A Satisfação dos Clientes
  • A de Analyze
    • O terceiro passo é Analisar as medições para
      • Identificar os aspectos mais Influentes
      • Descartar os elementos sem interferência
      • Determinar as Interações criticas
      • Confirmar as primeiras intuições
  • I de Improve
    • O quarto passo é
      • Estabelecer as Estrategias
      • Implementar os Planos de Ação
      • Modificar os Padrões
      • Treinar as Pessoas
  • C de Control
    • O Quinto passo é monitorar as mudanças
      • Capacidade de seguir os novos padrões
      • Eficacia das mudanças
      • Identificação de novas tendências
      • Escolha dos novos “alvos”

Antes mesmo do “Improve”, sempre aparecem os famosos “Quick Savings”, essas mudanças simples com implementação imediata que proporcionam “Ganhos Rápidos”. Isso fortalece os benefícios do projeto e motiva a equipe em buscar “mais”.

Eu consegui bons resultados com pessoas sem nem fazer o treinamento Green Belt.


Eu também tive o prazer de trabalhar com Black Belt em projeto mais complexos e conseguimos afinar vários processos resultando, além de redução de Refugo importante, em aumento de Produtividade e redução de Consumo de Matéria Prima. Eu posso confessar que eu fui surpreso do quanto o projeto conseguiu impactar o produto na sua globalidade e assim abrir novas oportunidades de mercado por ter uma redução de custo tão significativa.

Como eu sempre falo: “Quem Procura, Acha!”
Só o fato de prestar atenção num processo, já é meio caminho feito para o Sucesso.


Bruno Viandier

Expert Industrial & Mentor
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13 março 2016

Lean Foods [case 1]

Lean Foods
Aplicando Lean Manufacturing em restaurantes.
[case1]

Desde a origem do sistema Toyota de Produção que originou-se mais tarde como "Lean Manufacturing", variados setores passaram a adotar esta filosofia assim desmistificando aquilo que a principio fora julgado como apenas ferramentas para industrias automobilísticas, cujo sua aplicação somente tinha funcionalidade no Japão.
Hoje além da aplicação ter se estendido para industrias de outros ramos, como Usinagem, Farmacêutica dentre outras... vemos também a filosofia sendo trabalhada em Hospitais, Hotéis, Escritórios e Serviços, acompanhados de admiráveis resultados, isto prova que o Lean não é apenas um conjunto de ferramentas e sim uma cultura, um estilo de administrar e operar.
Após eu ter empreendido no setor de restaurantes, onde identifiquei inúmeras oportunidades de melhoria e obtive junto ao meu time muitos resultados baseados no Lean, pesquisei um nicho de mercado e percebi que ainda é muito pouco explorado para a aplicação do Lean, que são os restaurantes, cozinhas industriais, trailers, ou seja, todos comércios que contemplam o setor alimentício e que possuem alta demanda. O chamo de "Lean Foods".
Trabalhando com a implantação do Lean em alguns restaurantes, percebi que existe uma particularidade neste ramo referente a aplicação de alguns conceitos de melhoria continua, me refiro a possibilidade de ao criar uma solução para uma determinada oportunidade, conseguimos padroniza-la a ponto de replicar para outro restaurante com muito mais velocidade, claro, ajustando em suas devidas proporções de demanda. Separei um case referente ao aumento de produtividade no atendimento de uma Churrascaria Express que fica localizada na região de Campinas, interior de São Paulo.

Aumentando a produtividade de atendimento na Churrascaria

Esta Churrascaria tem 95% de seu público clientes que são colaboradores das industrias locais, o horário de atendimento tem inicio as 11:00 e fim as 14:00, os colaboradores contam com 1h para o almoço, porém chegam na Churrascaria com aproximadamente 50 minutos, devido o tempo referente ao trajeto que percorrem até o estabelecimento, outra situação é que os colaboradores chegam em grupos de muitas pessoas pelo motivo de trabalharem no mesmo departamento, todos estes fatores, geravam alguns desperdícios que impactavam diretamente no cliente final, um deles, o pior, erá a demora no atendimento para efetuar o pedido.

Figura 01 - Estado atual antes do Kaizen
Como mostra a figura 01 a Churrascaria contava com 3 garçons, o problema é que ao chegarem os clientes em grandes grupos, rapidamente os garçons se ocupavam enquanto inúmeras mesas ficavam esperando para serem atendidas, lembrando que tinham no máximo 50 minutos para almoçarem, esta situação gerava uma enorme insatisfação dos clientes, alguns apenas reclamavam, já outros chegavam a ir embora do restaurante. Foi neste momento que iniciei os trabalhos tendo como objetivo a implantação do Lean, o primeiro passo foi ouvir a"voz do cliente".

Pesquisa de satisfação do cliente

O objetivo desta pequisa não foi reconhecer quais eram os maiores problemas que geravam a insatisfação, pois este já estava nítido e sim foi de entender qual erá realmente o valor para este público, oque realmente eles esperavam desta Churrascaria além da qualidade. Eram atendidos em média 5.000 refeições mês nesta, efetuei a pesquisa com 30% destes clientes representando 1.500 pessoas, onde 85% disseram que o valor além da qualidade é a agilidade, ou seja, o tempo que chegam no restaurante, se acomodam, são vistos pelo garçom, fazem o pedido e aguardam seus pratos. Os outros 15% disseram variedade e conforto.
Com estás informações valiosas vinda diretamente do cliente final dei início aos estudos.
Estudando o estado atual
Foram analisados o tempo médio que um cliente passa pensando para tomar a decisão referente a escolha do prato, o tempo médio de espera pelo garçom e o tempo médio de anotação (escrever) dos pedidos pelo garçom, levando assim ao Lead Time de 22 minutos.
  • Lead Time tomada de decisão cliente: 4 minutos/média
  • Lead Time espera pelo garçom: 12 minutos/média
  • Lead Time anotação de pedido: 6 minutos/média
Após esta coleta de dados, foi definida a meta de redução deste tempo em 50%. Passadas inúmeras reuniões de sugestões, treinamentos, chegamos ao pensamento que para buscar a eliminação e redução dos desperdícios que levam a este Lead Time de espera, devíamos implantar um sistema que permita o aumento da produtividade do atendimento e chegamos a um projeto.

Implementando as Melhorias


Figura 02 - Sistema de gestão visual e autoatendimento
Como podem ver na figura 02, foi implantado um sistema de gestão visual, muito simples, barato e prático, conquistando resultados incríveis como o tão esperado aumento na satisfação do cliente, sem contar que chegamos atingir 73% de redução do tempo, ou seja, aumento de produtividade 23% acima da meta, reduzindo 2 garçons (remanejando), tendo impacto diretamente neste custo.
  • Lead Time tomada de decisão cliente: 4 minutos/média – antes 4 minutos/média
  • Lead Time espera pelo garçom: 0 minutos - antes 12 minutos/média
  • Lead Time anotação de pedido: 2 minutos média (após decisão cliente "tica" produto no cardápio) - antes 6 minutos/média
  • Quantidade de garçons para atendimento ao público 1 - antes 3
Esta Churrascaria aumentou seu controle, sua qualidade e sua capacidade de atendimento com menos recursos, impactando diretamente no custo e no principal, aumentando a satisfação do cliente, tudo isto devido a implantação de alguns dos conceitos da filosofia Lean Manufacturing.
Adriano Fernandes

Consultor Lean Manufacturing e fundador da Lean Foods Consultoria.

Linkedin

03 novembro 2015

A TOC dá resultados tangíveis rapidamente!



A TOC (Theory Of Constraints),
ou Teoria das Restrições,
é uma metodologia simples e muito eficaz.

Existem muitos livros sobre as ferramentas para poder melhorar a produtividade. Há cursos técnicos, de graduação, especialização e mestrado sobre Gestão de Produção.
Mas como conseguir resultados rapidamente com tudo isso?

Eu tenho muita interação com Industriais. Eu interajo com pessoas de várias funções e cargos, desde um Operador preocupado em se destacar para chamar a atenção dos seus chefes, até o Dono de uma Empresa querendo salvar seu negócio, passando por um Supervisor precisando atingir suas metas ou um Gerente buscando o reconhecimento dos seus pares.

Podemos observar algumas atitudes que atrapalham as pessoas em implementar as ferramentas de maneira eficaz e assim não conseguir melhorar a eficácia da produção:
  • A busca sem fim de conhecimento - Adquirir conhecimento sem colocar em prática e não repetir para buscar o aperfeiçoamento;
  • Falta de planejamento - Se não sabe aonde vai, qualquer caminho serve;
  • Se achar um Herói - Querendo mudar tudo de uma vez só;
  • A síndrome do Engenheiro - “Eu sei e eu vou lhe explicar como você deve trabalhar!”.

Ao longo da minha carreira, eu me deparei com muitas situações e guiei várias pessoas. O mais comum, quando o responsável de uma empresa pergunta porque há atrasos de entrega, é o responsável da Produção afirmar duas coisas: “Eu preciso de mais gente” e “Essa máquina não tem capacidade suficiente”. Logo após fazer essas declarações, ele vai apresentar os históricos de produção para apoiar seus cálculos. O objetivo é conseguir a autorização de fazer horas extras até a contratação de operadores adicionais e a abertura de um projeto de investimento para comprar uma nova máquina de forma urgente.

Em seguida, o responsável de Vendas vai apoiar fortemente as necessidades da Produção, e ainda prever que, se nada for feito logo, ele não vai conseguir conquistar novos clientes, e que, provavelmente, há riscos iminentes de perder alguns clientes atuais. Logo o responsável Financeiro compila os custos revisados com essas despesas adicionais e informa a nova margem. O responsável da Engenharia estima um prazo para ter a nova máquina operando dentro da fábrica. O responsável de Compras assegura que vai chamar imediatamente os possíveis fornecedores para conseguir reduzir os prazos de entrega. O responsável da Qualidade e o responsável da Logística apenas lembram que, se a Produção vai fazer horas extras, os seus departamentos vão precisar também. O responsável do PCP agenda uma reunião no dia seguinte para poder computar os novos parâmetros e assim divulgar o plano de produção revisado e informar quando vão ser eliminados os atrasos.

Muito bom, isso é um time bem preparado e capaz de reagir rapidamente para resolver os problemas de maneira planejada e organizada.

Como responsável de fábrica, antes de pedir recursos adicionais, eu vou no Chão de Fábrica para observar o que está acontecendo. Lá, eu vou aplicar a Teoria das Restrições e logo os números da produção vão melhorar significativamente. Talvez vai precisar de mais recursos humanos, mas, com certeza, não tanto quanto o responsável da Produção queria. Muito provavelmente não vai precisar de uma nova máquina, mas talvez apenas de uma boa manutenção.

Melhorar a produção em 10% é fácil!
(em 1 mês) 
Conseguir um aumento de 20% de peças por dia é muito provável!
(em 3 meses) 
Atingir 30% de ganho de produtividade é possível!
(em 6 meses) 

Como fazer isso?
Simplesmente tendo o apoio do responsável da empresa, aplicando os passos da metodologia, mantendo a disciplina e trabalhando em equipe.

Então, aqui estão os passos da famosa Teoria das Restrições:
 1- Definir o processo, a sequência de operações.
 2- Identificar o Gargalo.
 3- Explorar o Gargalo.
 4- Subordinar as outras operações ao Gargalo.
 5- Melhorar o Gargalo.
 6- Voltar ao 1° passo para considerar as mudanças implementadas.

"O QUE FAZER" é simples!
"COMO FAZER" é um pouco mais trabalhoso.

Algumas Dicas:
  1. Não tenha medo de errar! Coloque na prática o que você aprendeu. Não saiu como previsto? Aprenda com seus erros. Implemente de novo e veja o que mais pode melhorar.
  2. Antes de sair mudando as coisas, pare e pense! Escreva seu objetivo e o que precisa ser feito logo antes de definir essa meta. De novo escreva o que precisa ser feito, e assim até o início do projeto, ou seja: construa seu projeto iniciando do fim!
  3. Não tente abraçar o mudo! Escolha uma pequena parte da fábrica e implemente sua metodologia. Com o sucesso, você ganhará a confiança para conseguir mais partes da empresa.
  4. Converse com os Operadores! Eles são seus parceiros, sem eles você não vai conseguir mudar nada. Você vai gastar muito mais tempo para convencê-los dos benefícios do seu projeto do que você vai precisar para conseguir o apoio do seu Chefe e da Diretoria. Precisa-se de Humildade. Quem sabe é quem faz todos os dias! Talvez eles não sejam capazes de explicar como poderiam fazer, mas com certeza eles têm ideias do que deveria mudar e assim conseguir uma vida mais tranquila.

Eu consegui desenvolver muitas pessoas para obter resultados significativos na Produção usando a Teoria das Restrições.

Geralmente, após alguns meses trabalhando comigo, as pessoas costumam afirmar:
“O Impossível a Gente faz todos os dias,
para Milagres vai ter que esperar um pouco!”

Bruno Viandier

Expert Industrial & Mentor
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29 junho 2015

Como fazer um layout eficaz?

Com um layout inadequado, cerca de 30% do tempo destinado à produção é desperdiçado com transporte de materiais e produtos.” - Fonte: SEBRAE

Todos que trabalham numa indústria são influenciados pelo layout da fábrica. Lembre-se que cada um deve se esforçar para facilitar as atividades da Produção. Isso porque é de lá que sai o faturamento, mas também é no chão de fábrica que são gerados os maiores custos. A Engenharia de Processo tem um papel muito importante na busca de redução de desperdícios em parceria com a Produção e a Logística.

Infelizmente, não é comum achar uma sinergia entre os departamentos de uma empresa para buscar o melhor layout. Ele que vai contribuir no desempenho dos operadores e assim proporcionar uma melhor produtividade. Geralmente, cada função da unidade identifica apenas seus problemas e implementa procedimentos para assegurar que seu departamento vai ser eficaz. O assunto “layout” deve estar na pauta da Direção da empresa, se não estiver, não se poderá tomar as decisões necessárias!

Eu liderei um estudo detalhado de layout numa pequena estamparia. Como na maioria das pequenas empresas, não havia recursos dedicados para este tipo de análise. Os equipamentos estão instalados, onde tem espaço livre, sem dar importância exaustivamente aos impactos com as outras áreas da fábrica. Eu mapeei as movimentações acompanhando os maiores produtos e desdobrei as distâncias cobertas pela matéria-prima, os componentes, a sucata, as embalagens, as peças em processamento, os materiais para beneficiamento e os produtos finais. Eu propus 3 alternativas para mudar o layout e evidenciei que poderia reduzir essas movimentações de 30% até 60%.

Veja o método que eu uso para fazer meus estudos de layout.


O início do trabalho consiste em avaliar a situação atual. Eu elaboro o fluxo do processo, no qual identifico todas as entradas, como matéria-prima, componentes, WIP (Work In Progess / Material Em Processamento), embalagens, etc. Naquele fluxograma, eu também determino as saídas a cada passo da produção, tal como WIP, sucata, sobra de material, etc. Para cada elemento entrando ou saindo do processo, eu procuro entender: Como e onde está estocado? Como é manuseado? Qual é a frequência de cada ação? Há alguns problemas de ergonomia? etc...




Para finalizar essa primeira parte, eu vou desenhar os fluxos físicos no croquis da planta, isto é, estabelecer o diagrama “espaguete”. Esse desenho vai falar por si mesmo, eu vou perceber logo se é fácil entender o que está acontecendo no chão de fábrica ou não! Esse estudo de layout vai permitir medir as distâncias cobertas, apontar os pontos de cruzamento, evidenciar os elementos isolados, identificar os lugares de pouca circulação, sinalizar os riscos de atropelamento de operadores, e muito mais.

Neste momento do estudo eu volto para infância! Eu imprimo a planta atual e recorto cada elemento: máquinas, prateleiras, cestos, paletes, mesas, etc. Assim posso facilmente criar novos layouts sem esquecer nenhum elemento. Eu sempre desenvolvo 3 propostas, cada uma baseada num objetivo diferente. Por exemplo, a primeira proposta vai buscar otimizar o transporte de matéria-prima, a segunda opção vai reduzir as distâncias entre os processos, e a terceira alternativa vai usar o conceito de trabalho em células independentes. Em seguida, eu desenho os diagramas “espaguete” em cada nova planta.

Eu vou olhar atentivamente a versão atual e as 3 propostas para me convencer que realmente é melhor! Se eu não fico satisfeito, eu vou desenvolver novas versões até achar uma solução que realmente me agrade. Tendo as 3 opções, eu calculo os novos trajetos e assim evidencio os ganhos de cada layout alternativo.



Por enquanto tudo está no papel, então eu preciso materializar as mudanças. Eu converso com o time da Produção para confirmar os pontos fortes e fracos de cada versão. Então estudo os detalhes técnicos das mudanças com a equipe da Manutenção para estimar os prazos e custos envolvidos. Peço orçamentos dos fornecedores para os novos equipamentos de estocagem e a pintura das áreas. Eu analiso as cargas de produção dos próximos meses com o PCP para prever as possíveis paradas de produção. Depois avalio a necessidade de informar os clientes com a Qualidade e Vendas para incorporar os prováveis prazos de aprovação. Com todos esses elementos, eu posso desenvolver um plano de implementação de cada proposta de novo layout. Além disso, eu preciso calcular o payback, isso é: Em quanto tempo as economias geradas pelas melhoras vão reembolsar os custos das mudanças?

Com tudo isso em mãos, eu posso apresentar meu projeto para a Diretoria da Empresa.


É preciso passar muito tempo no chão de fábrica para entender cada detalhe das operações. Lembre-se da regra dos 80/20, conhecido também como Lei de Pareto (estabelecido por um economista italiano Vilfredo Pareto), que estipula que você vai gastar 20% do seu tempo para resolver 80% dos problemas. Então, você vai gastar 80% do seu tempo para identificar e eliminar os 20% de detalhes restantes! A diferença entre um projeto comum e um estudo excelente é o cuidado dos detalhes. Você vai conseguir resolver os maiores desperdícios em uma semana de estudo, mas depois você vai precisar ficar no chão de fábrica vários dias observando as rotinas de trabalho para identificar os pequenos problemas. São esses detalhes que podem colocar seu projeto em perigo!


Fui responsável por uma fábrica onde havia algumas máquinas nos lugares errados, isso gerava muita confusão devido aos cruzamentos de fluxos. Eu elaborei meu plano de ação e consegui mudar, passo por passo, a posição desses processos em 8 meses. Isso porque não podia parar a produção e o time da Manutenção fazia as mudanças nos fins de semana. O resultado foi muito bom, o trânsito de empilhadeira reduziu, as quantidades de WIP ficaram sob controle, os materiais eram estocados ao lado dos pontos de uso, os operadores podiam comunicar-se facilmente com seus colegas do processo anterior e posterior. Algumas semanas depois, o CEO do Grupo, que costumava visitar a fábrica uma vez por ano, apertou minha mão firmemente e me falou: “Obrigado Bruno por ter mudado o layout. Pela primeira vez em anos, eu consegui entender claramente os processos dessa fábrica!”.

Eu sou um "Mestre da Movimentação":

      Eu instruo o time multifuncional
       a analisar a situação atual e
       a propor as mudanças necessárias
       para eliminar as perdas no Layout
       sem esquecer os detalhes.



Bruno Viandier

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08 junho 2015

Os 9 passos para se tornar um “Mentor da Produção”




Eu sou "Mentor da Produção":
     Eu habilito a Liderança da Produção
     a entender o Chão de Fábrica e
     a tomar as atitudes necessárias
     para atingir as Metas estabelecidas
    sem inverter as prioridades.




Ao longo da minha carreira como Gerente Industrial, Plant Manager ou Diretor Industrial, eu desenvolvi dezenas de membros dos meus times da Produção. Eu os treinei e os acompanhei no dia a dia e consegui mostrar o caminho do sucesso. Eu transformei Líderes, Coordenadores, Supervisores e Gerentes em “Mentor da Produção”.

Conseguir aumentar os volumes produzidos de quinze mil para cento e cinquenta mil peças por mês, não acontece por acaso! Ver o faturamento da empresa ser multiplicado por seis é o resultado de muitos esforços e disciplina. Conseguir produzir em dois turnos o que fazia em três pode acontecer somente quando se sabe desenvolver ações eficazes.

Desta vivência, eu extraí os 9 passos para se tornar um “Mentor da Produção”.

1° passo: É preciso lidar com todos os componentes da Produção.

Ser um Líder da Produção significa ser “o dono da casa”. Como tal, deve estar sempre atento aos 5M (Hishikawa): Man – deve cuidar do seu time e agradar os visitantes; Machine – deve saber como funciona cada equipamento e zelar para sua preservação; Money – deve buscar sempre ter os custos sob controle e promover atitudes de economia; Methode – deve seguir os procedimentos e padronizar o trabalho; Material – deve usar os materiais conforme especificado. E não pode esquecer o Meio Ambiente, devemos nos adaptar a ele e preservá-lo.

2° passo: Deve zelar para a Segurança e ter com primeira meta “ZERO ACIDENTE”.

A preservação da integridade física dos colaboradores deve sempre passar na frente de qualquer outra prioridade! Para isso é preciso ter disponível os EPI adequados e fiscalizar a boa utilização.
Sempre se deve iniciar o serviço controlando os dispositivos de parada de emergência das máquinas. Uma boa prática é de conferir periodicamente que todos os dispositivos de proteção do equipamento estejam no lugar certo e corretamente fixados. E mais que tudo, deve-se conversar diariamente (DDS) com seu time sobre segurança.

3° passo: A organização é a base de tudo, deve-se saber implementar o 5S.

Ter um lugar organizado e limpo demostra atitude profissional e gera confiança. Para conseguir isso, é preciso conhecer bem os 5 “S” e saber como implementá-los. A primeira atividade é descartar o que não use (Seiri). Depois deve-se organizar o que sobra (Seiton). Em seguida limpar corretamente (Seiso). Porém, é preciso estabelecer padrões, cuidar da higiene e da mente (Seiketsu). E finalmente ter disciplina para manter um nível de excelência (Shitsuke).



4° passo: Qualidade é uma obrigação, sua segunda meta deve ser “ZERO DEFEITO”.

Hoje a qualidade não se mede mais em % (porcentagem), mas sim em “ppm” (Part Per Million). Isso é a consequência da melhoria contínua. Deve-se ser cada vez mais exigente. Como responsável da produção, você deve monitorar os indicadores da qualidade constantemente. Além disso, você deve ter um time que vai frequentemente investigar as causas dos defeitos e elaborar planos de ação para reduzir o refugo, e assim ter uma tendência de melhoria gradativa e constante.



5° passo: Respeitar seus compromissos, sua terceira meta é “ZERO ATRASO”.

Fazer produtos de qualidade é primordial, mas se não entrega dentro dos prazos acordados, logo seus clientes vão perder confiança e vão procurar o concorrente. A primeira ação é conhecer sua capacidade de produção real para poder se comprometer com prazos realistas. Para isso é preciso entender cada processo e quantos set-up devem ser feitos por turno. Tendo isso, deve-se estabelecer a demanda mensal, dividi-la em um plano de produção semanal, e desdobrá-lo em ordens de produção diárias. Em seguida, o foco estará em um trabalho de monitoramento constante para não perder os prazos de cada ordem.

6° passo: Entender os processos e buscar “PRODUTIVIDADE”

A força de uma corrente é proporcional à resistência do seu elo mais fraco. Sabendo isso, deve-se saber identificar o gargalo do processo para poder maximizar a produção. É preciso conhecer o passo a passo do processo e ter a capacidade de cada etapa. Tendo identificado o gargalo, é preciso explorá-lo ao máximo possível. Seu time inteiro deve saber qual é o gargalo e todos devem se subordinar a ele. Estas três técnicas são as chaves do sucesso da produtividade.




7° passo: Buscar sempre mais performance melhorando o Gargalo.

Para poder aumentar sua produção, é preciso melhorar seu gargalo. Isso significa que você vai avaliar o nível de desperdícios nos processos. Conhecer os 8 desperdícios do Lean Manufacturing é primordial: Excesso de Produção, Espera, Excesso de Movimentação, Defeito, Excesso de Transporte, Excesso de Estoque, Excesso de Processamento, Má utilização das Pessoas.





8° passo: Saber como e quando tomar atitudes.

O Chão de Fábrica é um lugar onde acontece muita coisa. Um bom líder deve saber reagir com eficiência a cada tipo de situação. Para isso, ele deve desenvolver suas cadeias de ajuda. Elas são processos que permitem definir o que fazer quando ocorre um problema: Com quem falar? Como pedir ajuda? Quando avisar a gerência? Quando pedir ajuda extra? Como manter os envolvidos informados? Quais são os planos de contingência?

9° passo: Monitorar os bons Indicadores.

Quais são os reais KPI (Key Productive Indicators)? Não se pode desperdiçar seu tempo em acompanhar um indicador que não é crítico. Para isso pode-se seguir o PQCDSM: Produticivty, Quality, Cost, Delivery, Safety e Moral.







Isso é apenas um resumo dos 9 passos para se tornar um “Mentor da Produção”.


São necessárias várias horas de treinamento, muito tempo observando o chão de fábrica, inúmeras conversas com as pessoas, muito trabalho, dedicação e, mais do que tudo, disciplina para conseguir ser um “Mentor da Produção”.

Mas vale a pena, é muito gratificante ver os indicadores subindo nos gráficos e receber os agradecimentos do seu time.


Bruno Viandier

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30 maio 2015

Empilhadeira no chão de fábrica é a ponta do iceberg!




Quando eu vejo uma empilhadeira passar no chão de fábrica,
 10 problemas surgem na minha mente:



1° - Os riscos de acidente, tanto corporais, quanto materiais. Sempre se vê as sequelas das batidas de empilhadeira espalhadas na fábrica. Pergunte para os operadores e cada um poderá lhe contar sobre um acidente envolvendo uma empilhadeira.

2° - A agressão ao meio ambiente, especialmente quando se trata de empilhadeira a gás. O escapamento incomoda a todos, mal cheiro e calor se espalham no ambiente a cada movimentação.

3° - O desperdício de energia. Geralmente a empilhadeira transporta cargas pequenas, o que pode ser comparado a um caminhão viajando com apenas 10% da carga!



4° - A provável falha ergonômica. Como o operador vai manusear essa carga após a empilhadeira deixar no local? Isso porque geralmente as empilhadeiras são muito solicitadas e não capricham quando entrega a carga. Então os operadores devem ajustar manualmente o posicionamento do palete dentro da marcação no chão!

5° - O espaço perdido. Uma empilhadeira precisa de espaço para poder manobrar, também precisa de uma rua larga. Por exemplo, nas esquinas entre as ruas é preciso “quebrar” os cantos para a empilhadeira poder girar.

6° - A necessidade de haver operadores dedicados exclusivamente à empilhadeira. É muito difícil ter polivalência devido às leis trabalhistas..


7° - O excesso de estoque. Geralmente a quantidade transportada vai cobrir mais de um turno de produção, então vai ter material demais estocado no chão de fábrica.

8° - As paradas de produção devido às esperas pela empilhadeira. Quando o operador de produção precisa da empilhadeira, ele sempre vai parar e esperar por ela. Não é comum ver um empilhadeira parada perto do operador como forma de não perder tempo!

9° - A perda de tempo quando a empilhadeira coloca uma carga numa prateleira. O “motorista” precisa fazer várias manobras para conseguir colocar o palete corretamente no local ou pode acontecer um tombamento.

10°- O excesso de manuseio. Uma carga vai para lá, no fim do uso a sobra volta para cá e é colocada na prateleira, depois tirada e em seguida vai colocada de novo!

Um ponto importante para o sucesso de uma empresa é entender que, se a Produção trabalha melhor, vai conseguir vender mais produtos e assim aumentar o faturamento. Então todos devem trabalhar neste objetivo. A Produção trabalha para sustentar os outros departamentos, então todos departamentos devem se esforçar ao máximo para ajudar a Produção, é por isso que se chamam “Departamentos de Apoio”!

Usar a empilhadeira é o mais fácil. Assim o que é recebido dos fornecedores pode ir diretamente para a produção. É aparentemente o mais rápido para quem precisa abastecer a linha de montagem. Mas a análise da situação do local de uso pode levantar muitos desperdícios que são bons motivos para buscar melhorias.

O primeiro passo é substituir as empilhadeiras a gás por paleteiras elétricas, o segundo passo é substituir algumas paleteiras elétricas por paleteiras manuais, o terceiro passo é eliminar o uso da maioria das paleteiras manuais, usando carrinhos para acomodar as caixas dos materiais.

Uma outra ação importante é dimensionar as embalagens compatíveis com o consumo da produção e a frequência de abastecimento. Para isso deve-se saber qual quantidade os clientes pedem, assim determinar um múltiplo para definir os tamanhos dos lotes de produção. Um outro ponto é desenvolver as embalagens para que o operador possa usar diretamente na linha sem precisar fazer um transbordo. Tendo tudo isso em mão, pode adicionar um parâmetro para finalizar o tamanho das caixas: é recomendado que um operador não manuseie peso maior do que 20 quilos.


Time da Logística, vocês devem cobrar a quem for preciso para implementar essas melhorias e eliminar o trânsito de empilhadeiras dentro da fábrica. Fazendo isso vocês vão colocar sua empresa num outro patamar!

Engenheiros, leiam a NR17 sobre ergonomia e busquem conhecimento das boas práticas para projetar os postos de trabalho. Existem muitas soluções desenvolvidas e prontas para usar que vão simplificar a vida dos operadores e, consequentemente, gerar ganhos de produtividade.

É muito difícil fazer coisas simples!
Deve-se sempre ter em mente a vontade de mudar. Ninguém acerta a melhor solução da primeira vez.
Muitos esforços são necessários para ficar cada vez mais perto da perfeição, o que é uma ilusão, porque tudo sempre pode ser melhorado!



Bruno Viandier

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